Foi-se
o tempo em que uma hora ou duas horas da TV ligada na sala de casa
servia para compartilhar um entretenimento ingênuo entre familiares,
amigos e vizinhos.
Desde a sua popularização nos anos 50 e 60 até
nossos dias, a presença da televisão em nossas casas
e o seu efeito sobre nossas vidas tomou proporções que
clamam por reflexão e debate de vários setores da sociedade.
Os principais impactos negativos da TV atingem, principalmente, crianças
e adolescentes, e estão relacionados tanto com os conteúdos
das programações, quanto com a intensidade com que são
assistidas (esta intensidade é avaliada pela quantidade de
horas despendidas por dia em frente ao aparelho).
Revisão recente dos principais estudos científicos dos
últimos cinquenta anos, que analisam os efeitos do excesso
de mídia sobre crianças e adolescentes e suas repercussões
na vida adulta, descortina um cenário preocupante. Vários
aspectos da saúde, desenvolvimento e amadurecimento de crianças
e adolescentes são afetados.
Vejamos um resumo deste quadro:
Os estudos demonstram uma relação direta entre exposição
à violência na mídia (e aqui conta TV, DVD, Internet
e vídeo games) e comportamento violento. A violência
na mídia contribui para comportamento agressivo de adolescentes
e futuros adultos, para a banalização da violência,
pesadelos em crianças e medo de ser agredido. Os estudos de
mais longa duração mostram que crianças e adolescentes
que cresceram assistindo mais TV por dia são mais prováveis
de cometer atos de violência, mesmo quando adultos, do que aqueles
que cresceram assistindo menos TV.
A enxurrada de violência na mídia está quantificada:
uma criança americana média terá assistido a
200.000 (é duzentos mil mesmo) atos violentos e 16.000 assassinatos
na TV até os 18 anos. Cabe lembrar que a média de tempo
das crianças brasileiras defronte a TV não é
muito diferente das americanas.
Dois terços de toda a programação contém
algum tipo de violência. A maioria dos atos violentos não
são punidos e, frequentemente, são acompanhados por
humor. As consequências de sofrimento humano e perdas são
raramente abordadas.
Não raro, infelizmente, o que ocorre é a glamorização
da violência. É importante salientar que crianças
até oito anos têm dificuldade de distinguir fantasia
de realidade, tornando-as mais vulneráveis ao aprendizado da
violência e de adotar como realidade a violência que elas
vêem na TV.
Adolescentes que assistiam, quando crianças, programas com
temas de adultos na TV, tornaram-se sexualmente ativos mais cedo que
adolescentes da mesma idade que não assistiam estes programas.
A incidência de gravidez na adolescência também
foi maior. No último congresso da Associação
Americana de Pediatria, em maio de 2009, foram apresentados resultados
de um estudo demonstrando que, para cada hora por dia de média
de programação para adultos, assistidos por crianças
de 6 a 8 anos, a chance deste grupo ter relação sexual
no início da adolescência (de 12 a 14 anos) aumentou
33%.
Quanto mais jovem, mais imaturo, maior é a influência
da mídia. A mídia passa a ser “a” referência
muito cedo. Este aprendizado fica arraigado, difícil de ser
desfeito mais tarde. E, além disso, obscurece o aprendizado
que vem mais tarde com os colegas e amigos, com a família e
com normas sociais, diminuindo o impacto destes últimos.
Com respeito ao uso de álcool e cigarro, os estudos também
são conclusivos. A visualização de cenas de fumo
e de consumo de álcool em filmes são as principais causas
de fumo e uso de álcool entre adolescentes.
Crianças que assistem mais TV começam a fumar mais cedo
e a TV tem um efeito maior do que pais e colegas que fumam. Um estudo
europeu com 3.000 adolescentes mostrou que a intensidade de exposição
à mídia esta associada ao uso de álcool na adolescência.
Infelizmente os problemas não param por aqui.
Vários estudos internacionais, conduzidos por períodos
de 25 a 30 anos, mostram que quanto mais a criança assiste
TV, maior a possibilidade de tornar-se obesa. Existe uma associação
significativa entre o número de horas despendidas defronte
a TV, no período da infância de 6 a 11 anos, e obesidade
6 anos mais tarde.
Uma prova adicional do impacto da TV no desenvolvimento da obesidade
é dada por alguns estudos nos quais a redução
do tempo de TV causou diminuição de peso dos indivíduos
com sobrepeso ou obesos. Ainda na área do comportamento alimentar,
deve ser mencionada a contribuição da mídia para
a formação da autoimagem do corpo dos adolescentes,
que geralmente é difundida com padrões fora da média
da população.
No que tange à performance escolar e ao desenvolvimento da
linguagem, os resultados indicam que a exposição precoce
à mídia (e precoce aqui significa que bebes são
expostos à TV e DVD) apresentam atraso na linguagem. O excesso
de mídia contribui para o baixo desempenho escolar e déficit
de atenção.
Além disso, adolescentes que assistem a 3 horas ou mais de
TV por dia têm mais risco de desenvolver problemas de sono quando
adultos.
Todas estas evidências indicam que o excesso de mídia
produz danos à saúde.
E então, o que fazer?
Todos estes dados se referem a excesso e inadequação
de conteúdo.
Os
especialistas recomendam que a exposição à mídia
não supere 2 horas por dia (e aqui estão contadas todas
as mídias como TV, Internet, vídeo games).
Não permitir que crianças e adolescentes assistam programas
inapropriados para suas idades.
A Academia Americana de Pediatria recomenda fortemente que crianças
abaixo de 2 anos não sejam expostos à TV ou DVD.
Um dado que não foi mencionado é o de que crianças
que assistem muita TV são de famílias cujos pais também
assistem muito TV. O primeiro passo é se auto-disciplinar.
Tendo sempre presente que o hábito dos pais tem muita influência
sobre as crianças.
Apesar de todas as mazelas da TV aqui descritas, deve-se salientar
que a TV possui um enorme potencial positivo que pode ser transferido
para a saúde da população desta geração
e das gerações futuras. Menos violência, maior
responsabilidade sexual, menos uso de droga, cigarro e álcool
nas programações certamente produzirão este impacto
positivo.
(Fonte:
www.abcdasaude.com.br)