As
"palavras certas" no convívio com os outros são
cada vez mais pura mentira. Pois apresentar a verdade em doses reduzidas
facilita a vida. Os americanos chamam essa "forma elaborada"
de comunicação de "mentiras brancas". Aqueles
que sempre dizem a verdade são considerados irremediavelmente
ingênuos. Além disso, eles facilmente ganham inimigos.
Calcula-se que uma mentira vem aos nossos lábios cerca de 200
vezes por dia, em média uma a cada 5 minutos. Começando
por falsos elogios ("Você está com excelente aparência!")
até mentiras descaradas ("Hoje eu não posso ir
ao escritório, estou gripado").
Há alguns anos ocupam-se com o mistério da mentira não
apenas filósofos, mas também cientistas políticos
e psicólogos. O resultado das pesquisas sobre a mentira:
– Mentira e engano estão nos nossos genes, foram e são
o motor da evolução. Os biólogos presumem que
o desenvolvimento do cérebro humano só foi possível
por ter que lidar com enganos.
– Nós adulamos, engodamos e sorrimos diariamente com
olhar inocente para manter uma boa atmosfera ou para nos apresentar
numa luz mais favorável. Principalmente os cônjuges e
familiares são enganados de maneira intensa. Eles são
vítimas de dois terços de todas as mentiras graves –
segundo as análises de diários da psicóloga americana
Bella DePaulo da Universidade da Virgínia em Charlottesville.
– Talento para enganar é sinal de inteligência
– um fator de sucesso, tão útil como perspicácia,
intuição ou criatividade. "O sucesso profissional
de um executivo depende em 80% da sua inteligência social",
afirma Howard Gardner, psicólogo da Harvard School of Education.
Também Peter Stiegnitz, um pesquisador da mentira em Viena
(Áustria), pensa que os "carreiristas preferem trabalhar
com jeito e charme ao invés de fazê-lo com aplicação
e perseverança".
O objetivo da educação diplomática: as crianças
já aprendem desde cedo que é melhor não dizer
à sua antipática tia que acham o beijo lambuzado dela
nojento. A alegria dissimulada da mãe ao receber o presente
de Natal inútil, os doces escondidos furtivamente e a lei do
silêncio sobre inconvenientes familiares são modelos
e treinamento para as mentiras diárias no futuro.
Entretanto, as crianças só compreendem a necessidade
de mentir entre o segundo e quarto ano de vida, e isso ocorre tanto
mais cedo quanto mais inteligentes elas forem. Até então
elas não sabem distinguir entre fantasia e realidade. Quando
descobrem, então, quão refinadamente é possível
lograr os outros, elas o fazem primeiramente em proveito próprio
– a fim de evitar castigos ou para receber alguma recompensa.
Mais ou menos a partir dos oito anos de idade elas aprendem a diferenciar
a simpatia verdadeira da falsa.
No máximo durante a adolescência os jovens aprendem a
distinguir com certa precisão se alguém está
sendo sincero ou não... (Focus)
É
vergonhoso como hoje em dia se lida levianamente com o conceito "mentira"
ou com a própria mentira. Há pesquisas e estudos sobre
a mentira, tenta-se explicá-la, procura-se a sua origem, mas
em geral ela é considerada inofensiva, sim, até mesmo
uma necessidade da vida e, em última análise, como algo
bom.
Entretanto, como em todas as questões relativas à vida,
também sobre a mentira somente a Bíblia – e não
quaisquer "pesquisadores da mentira" – pode nos dar
a melhor orientação. Ela nos mostra que a mentira não
é um mistério, conforme diz o artigo citado, mas um
pecado há muito revelado. A mentira consiste em rejeitar a
verdade de Deus. Sobre os mentirosos está escrito: "Pois
eles mudaram a verdade de Deus em mentira..." (Rm 1.25). Por
isso a mentira se estende por toda a história da humanidade.
Ela é a culpada pela queda do homem e causa de todos os sofrimentos
e de muitas lágrimas.
A mentira não tem sua origem na evolução, mas
em Satanás – ele é chamado "pai da mentira".
O Senhor Jesus Cristo mostrou isso de maneira inequívoca quando
disse: "Vós sois do Diabo, que é vosso pai, e quereis
satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio
e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade.
Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio,
porque é mentiroso e pai da mentira. Mas, porque eu digo a
verdade, não me credes" (Jo 8.44-45). Assim, o pecado
só entrou no mundo por meio da mentira, pois Satanás
enganou os primeiros seres humanos através da mentira: "É
certo que não morrereis... mas sereis como Deus" (Gn 3.4-5).
A realidade da mentira e do pecado em si falam contra a evolução
e a favor do relato da Bíblia, de que somos uma criação
caída.
Com toda a certeza a mentira não é indicação
de inteligência, mas um sinal característico de uma vida
sem Deus, que não ama a verdade e é a identificação
de uma natureza pecaminosa. Em 1 João 2.21 está escrito:
"...mentira alguma jamais procede da verdade." Por isso,
a crescente tendência para a mentira em nossos dias também
é um sinal evidente dos tempos finais: "Ora, o Espírito
afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão
da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos
de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm
cauterizada a própria consciência" (1 Tm 4.1-2).
Como a mentira é o oposto exato da verdade de Deus e assim
rejeita o próprio Deus da maneira mais grosseira, ela também
será julgada com dureza pelo Deus santo. No último livro
da Bíblia está escrito duas vezes com inequívoco
rigor:
– "Nela, nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada,
nem o que pratica abominação e mentira, mas somente
os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro" (Ap 21.27).
– "Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros,
os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica
a mentira" (Ap 22.15).
Parece que o pouco de verdade que há no artigo citado é
que uma inverdade passa pelos nossos lábios aproximadamente
200 vezes por dia. Em face desta realidade da mentira, como deveríamos
tremer diante da verdade que o próprio Senhor Jesus descreve
assim: "Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem
os homens, dela darão conta no Dia do Juízo" (Mt
12.36).
Somente estas poucas afirmações da Bíblia nos
colocam diante da verdade de que nenhuma pessoa pode ser salva por
meio dos próprios esforços. Bastaria pensar isso, para
mentir a si mesmo. Mas, Jesus Cristo veio para isto: Ele, a Verdade
de Deus em pessoa, a fim de tomar sobre si a nossa culpa, para que
nós, exclusivamente pela graça, pudéssemos ser
libertos da mentira. Por isso o Senhor Jesus diz em outra passagem:
"Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós
permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos;
e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (Jo
8.31-32). Verdade é reconhecer a mentira como aquilo que ela
é: um pecado que nos separa de Deus. Mas verdade também
é saber que podemos confessar a Jesus a mentira e todos os
nossos outros pecados e pedir perdão. Verdade também
é que, então, podemos aceitar o perdão pela fé
e com gratidão. Aquele que fizer isso com sinceridade e de
todo o coração, receberá o perdão (1 Jo
1.7 e 9), pois Deus não pode mentir.
(Texto:
Norbert Lieth)